Muitas vezes estamos com quem amamos, mas não temos tempos para eles. Vivemos apressados...
Corremos em busca de um mundo melhor..., de uma vida melhor...
Não temos tempo sequer de ver, se já temos ou não o melhor... Mas continuamos estressados. Com medo de perdermos as horas, de perdemos tempo...
E não percebemos que com toda esta correria estamos perdendo qualidade de vida. E conseqüentemente nossa alegria, nossa vontade de viver, talvez o nosso viver.
Ontem eu estava na sala assistindo um pouco de TV para me distrair, e descansar um pouco minha mente do corre- corre quando começou o “Globo Repórter”, onde passava uma matéria sobre a beleza da Itália, nesta matéria foi mostrada diversas paisagens maravilhosas e falava também sobre uma cidade italiana que investe em qualidade de vida para a população, falava ainda que outras regiões da Itália já se preocupam com este assunto. As pessoas fazem as coisas de um modo menos acelerado, buscando uma vida melhor.
A repórter entrevistou uma senhora que deu um depoimento muito interessante, entre as muitas coisas ditas, ela falou algo que me sensibilizou muito. Disse que vivemos presos ao tempo, num ritmo de vida acelerado e sem qualidade alguma. Segundo ela deveríamos, quando comer, comermos; quando beber, bebermos; quando andar andarmos, quando falar, falarmos, fazendo uma coisa de cada vez. Sentindo exatamente aquilo que estamos fazendo, aproveitando aquele momento. Pois fazemos as coisas sem prestar a devida atenção ao que fazemos. Escravos (Prisioneiros) do relógio; perdemos muito em qualidade de vida. E de fato acredito, tem ela toda a razão.
Amamos nossos familiares e amigos... E quanto tempo ficamos realmente com eles? Quanto tempo lhe dedicamos? Se tivermos um parente distante, sofremos por sua ausência. Quando o mesmo se muda e passa a morar próximo, quase não o vemos, pois não temos tempo... Moramos na mesma casa com mãe, pai, irmão, filhos, marido e quanto tempo realmente dedicamos a eles? Quanto tempo paramos para escutá-los verdadeiramente.
O corre-corre é tão incrível que muitas vezes, não vemos coisa na cidade que estão ali há anos. E só percebemos, quando, por exemplo, tiramos férias. Pois olhamos, mas não enxergamos. Não há tempo.
Quando um parente se vai, passamos a nos culpar por que não aproveitamos tempo suficiente com ele, enquanto vivo... E é Engraçado... Mas não tínhamos o tempo? Isso me intriga: Porque não o fizemos? Tempo não se faz?
Comemos de forma errada, “acabamo-nos nos FAST FOOD da vida” sem nos preocupar com a nossa saúde, falamos de forma errada, atropelamos as palavras, não damos nenhuma pausa para respirar. O corre-corre é tão intenso que rezamos para que chegue o fim de semana, que chegue o fim do mês, o fim do ano. Isso quando temos tempo para rezar. Qual o motivo de tanta correria? Vivemos de forma errada, sempre em função do tempo. De fato não sabemos quanto tempo temos, mas se o usarmos de forma errônea realmente estaremos desperdiçando o grande tempo que nos resta. Já que se fala tanto em desperdício, que tal nos dedicarmos ao aproveitamento total do tempo. Muitas pessoas falam que a vida é curta, mas talvez seja apenas mal aproveitada...
Ana Lúcia da Silva
